Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012
por José Meireles Graça

Acreditemos que o exilado de Paris tem um passado impoluto e que vive a vida de um estudante boémio e curto de verbas, em que a boémia, por causa da idade, se encontra substituída por estudo e empenho.

 

Imaginemos que os Paulos Campos, os Mários Linos, os trânsfugas dos Governos para as empresas com as quais negociaram (nem todos do PS, hélas), têm um par de brancas asas que lhes brotou gracilmente das costas.

 

Suponhamos que todas as escandaleiras envolvendo suspeita de corrupção, malbaratação de fundos públicos, tráfico de influências, e abusos e atropelos sortidos, foram obra de uns meios de comunicação social sôfrega de atenção, servida por jornalistas medíocres, politicamente engagés, e tristemente carentes dos meios para fazer as penosas investigações que cada acusação reclamava e que, se efectuadas, trariam para a praça pública a gritante inocência dos envolvidos.

 

Sobra que o consulado socratista deixou em herança "a maior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, a maior dívida pública dos últimos 160 anos, o pior crescimento económico dos últimos 90 anos, a pior dívida externa dos últimos 120 anos, a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos, a segunda pior taxa de emigração dos últimos 160 anos" (era o que escrevia um blogueiro que se deu ao trabalho de fazer as contas, pouco antes de se tornar ministro do actual Governo).

 

Para reverter este estado de coisas a actual maioria adoptou um caminho, parte imposto, parte escolhido. A parte imposta é renegada na prática, a benefício da popularidade, por quem principalmente a subscreveu mas não ficou com a responsabilidade de a aplicar. E a parte escolhida é discutível e discutida mesmo por quem, como eu, elegeu a actual maioria, ainda que com reserva mental.

 

Bem ou mal, porém, do que se trata é de reerguer uma casa em ruínas. E a solução, podendo vir de muitas maneiras, não vem certamente de lhe meter dentro as térmitas, os ratos e os habitantes tresloucados que a fizeram chegar onde está.

 

Porque a solução deles não é refazer os alicerces, substituir vigas podres, remendar o soalho, aparelhar para permitir, quando puder ser, a pintura.

 

Não. É comprar um carro novo - o vendedor adianta as primeiras prestações e faz um desconto, daí que seja um negócio recheadinho de imensas externalidades. 


tiro de José Meireles Graça
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
por Diogo Agostinho

 

Diz António Mendonça: "a desistência do projecto de alta velocidade terá sido um erro colossal"


É um facto. Em Madrid não se pensa noutra coisa, é vê-los em fúria contra os portugueses e a ira vai de Mourinho à ausência de TGV para irem à praia. 

tags:

tiro de Diogo Agostinho
tiro único | comentar | ver comentários (1) | gosto pois!

Quinta-feira, 22 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Mas com tudo isto, será que ninguém ninguém vai preso?

 

Esta pergunta é retórica, claro: O Tribunal de Contas é um leão sem dentes, a Procuradoria-Geral da Republica um aglomerado de vedetas supostamente justiceiras em auto-gestão e o Presidente da Republica um pobre guarda-livros sem rasgo, nem imaginação, nem determinação que se afaste muito das cercanias do próprio umbigo - não, ninguém vai preso.


Há os Partidos, que os nossos democratas superficiais e caseiros detestam, por imaginarem que podem existir sem promessas e vícios e por Salazar lhes ter formatado as cabeças muito para além do que supõem.


Dos Partidos não se pode esperar muito: o PCP e o BE têm a tensão alta por estes dias, entretidos com as greves, os protestos, as indignações e o putativo deslizar de Portugal, e da UE, para uma situação que desejam próxima da pré-Revolução; o grupo parlamentar do PS está minado por muitos responsáveis solidários do descalabro, e o partido no seu conjunto ainda se não viu ao espelho do buraco em que nos meteu.


Restam os outros: e talvez um, ou dois, ou três juristas - há por lá às resmas - pudessem estudar a legislação americana sobre impeachment, e adaptá-la à nossa situação, para curto-circuitar a Procuradoria, e os sindicatos das magistraturas, e as polícias, e o vozear da imprensa, e até mesmo as comissões parlamentares (que são lentas, não têm meios nem são adequadas para investigar criminalmente no terreno), e tomografar o ex-PM.


Bem sei: mais uma Lei e mais uma magistratura, mais despesa pública - tudo portuguesices.


Mas é que nós precisamos de um Kenneth Starr com poderes e orçamento de Kenneth Starr - e não para investigar charutos, devaneios e mentirinhas, que o nosso País não está entupido de puritanos obcecados com sexo.


Mas está entupido de corruptos mentirosos e impunes. Ou, quem sabe, talvez não; mas precisamos de ter a certeza, ao menos em relação ao maior deles.

tags: ,

tiro de José Meireles Graça
tiro único | comentar | gosto pois!

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

... a integração europeia oferece oportunidades excelentes mas é preciso saber muito bem negociar. É preciso ter presente esta lei: quanto mais tarde se acede, maior é a pressão para aceitar condições económicas desfavoráveis.

Bruxelas pressionou Portugal - e continua a pressionar uma série de países - no sentido da estagnação económica. Por exemplo, essa ideia absurda de ligar as capitais todas com tê gê vês. Se o tê gê vê Lisboa - Madrid já é projecto ruinoso segundo um dos melhores estudos que estavam (e talvez ainda estejam) disponíveis no site da Rave, o que dizer do projecto Tallinn (Estónia) - Riga (Letónia), países estes ainda mais pobres, com cidades capitais ainda menos populosas? Mais uma imposição de Bruxelas, mais um convite ao endividamento e à estagnação, com o único fito de subsidiar indirectamente a indústria dos países mais ricos. Qualquer coisa como isto: os países bálticos endividam-se primeiro para pagar "só" 50% do projecto (é sempre "só" 50%, "só" 30%) e endividam-se depois para pagar os prejuízos operacionais nas décadas e gerações seguintes.

 

Entretanto, as siemens da Europa vão lucrando com o crescimento e exportação da sua indústria pesada. Quando os países bálticos estiverem falidos, vem a Alemanha, que não tem nada a ver com a Siemens..., queixar-se de que os bálticos não sabem governar-se. E o facto é que, do alto da mais supina hipocrisia, a Alemanha terá razão: quem cede às "narrativas da modernidade" de Bruxelas (mas não só daí) e aceita endividar-se para implementar projectos ruinosos não sabe, efectivamente, o que é boa governação...


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | comentar | ver comentários (4) | gosto pois!

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

No site da TSF: "Conversa azeda entre Sarkozy e Cameron atrasa encerramento de cimeira europeia", "Sarkozy disse estar farto das críticas de David Cameron, que insiste em estar presente na cimeira europeia de quarta-feira na qual se espera um acordo sobre o futuro da Zona Euro" e "Sarkozy defende que apenas deve estar aberto [a cimeira desta semana] aos 17 países que utilizam a moeda única".

 

Muitas vezes é o país "mal comportado" que tem razão. Por exemplo, o Reino Unido. Este país anda há décadas a criticar com toda a justiça a Política Agrícola Comum. Tem estado isolado nessas críticas, embora a reforma e, melhor ainda, a abolição da PAC beneficiasse vários países (dentro e fora da União) incluindo Portugal. Agora, exige estar presente numa cimeira dos dezassete Estados da zona euro apesar de não fazer parte dessa zona por vontade própria.

 

A verdade é que o Reino Unido e os outros países da União Europeia têm todo o interesse e legitimidade em participar dos assuntos do euro. Em primeiro lugar porque a moeda comum é inerente ao projecto maior e muito abrangente que é a própria União, sendo hoje impossível pensar no mercado comum sem considerar a importância do euro mesmo no caso dos países que mantêm moeda própria. Em segundo lugar porque os doze países dos dois últimos alargamentos da UE ficaram obrigados a integrar a zona euro precisamente aquando da sua entrada na União. Só a prepotência de países como a França e a Alemanha, tão bem ilustrada pelas "palavras azedas" de Sarkozy, pode justificar que uma economia de dimensão média como a Polónia fique de fora daquela cimeira, por sinal a única economia europeia a manter crescimento económico positivo ao longo de toda a crise.

 

A Polónia é outro exemplo de um bom "mal comportado" europeu. É um país que tem sido fustigado pela imprensa da "boa Europa" por ser conservador, católico e orgulhoso. Na velha "Europa Ocidental" só os grandes têm direito ao orgulho. A verdade é que a Polónia é dos países que mais tem feito, por exemplo, pela integração internacional de uma série de Estados europeus. Foi por exemplo a Polónia que se opôs à Alemanha e, em conjunto com os EUA, apoiou a entrada dos países bálticos na NATO. É também a Polónia que tem liderado a cooperação europeia com a Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia e os três Estados do Cáucaso.

 

Se não fosse a actual fragilidade económica e política, Portugal poderia ser também um dos bons "mal comportados" da Europa. Deixo esta sugestão a Pedro Passos Coelho: que denuncie nos vários fóruns europeus a loucura do projecto da rede de alta velocidade europeia, um projecto tão mais absurdo quanto se pense nos serviços prestados por empresas privadas não subsidiadas e lucrativas como uma Ryanair. Sugiro que exponha que o único resultado garantido de tal projecto será um maior endividamento de boa parte das economias europeias, menos crescimento económico e uma subsidiação perdulária e injusta à indústria dos países europeus mais ricos.


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | comentar | ver comentários (6) | gosto pois!


Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds