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Forte Apache

O que fica da TSU

Alexandre Poço, 22.09.12

Para lá de qualquer manobra política ou indicador económico, fica o sentimento de que muito dificilmente se conseguirão realizar as ditas "reformas estruturais" daqui para a frente. Que a realidade me desminta doravante, pois seria para o bem de Portugal, mas será difícil efectuar alterações que rompam com o establishment nacional. Não se deve atirar a toalha ao chão, mas sendo realistas, somos forçados a constatar que eventuais alterações em grandes áreas da nossa vida colectiva terão sempre de respeitar os dictâmes da ideologia e cultura socialista vigentes, pelo que ficaremos sempre por alterações pontuais e não, pelas necessárias redefinições globais. O recuo por parte do governo na questão da Taxa Social Única (TSU) não significa apenas o abandonar de uma proposta, significa o início da renúncia a todo um programa que pretendia transformar de forma substancial a sociedade e o Estado, bem como, a forma de relacionamento entre ambos. 

 

PS - Cada vez acredito mais que o problema foi termos ficado apenas pela "pré-bancarrota" e nunca se ter batido verdadeiramente no fundo em Maio/Junho de 2011, como previa o então Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Talvez tudo tivesse sido diferente daí para a frente. 

Humildade

Francisco Castelo Branco, 21.09.12

Uma das qualidades que mais admiro em Passos Coelho é a sua honestidade. Tanto a nível pessoal como político. Às vezes é dificil despir o fato de Primeiro-Ministro e não mostrar o homem por detrás do político. No entanto, este PM tem revelado enorme autenticidade. Isso tem a ver não só com as suas origens mas sobretudo com o facto de acreditar em valores e princípios. O facto de o Governo estar a ir para além da troika pode ser perigoso, visto que ainda vivemos num país onde os brandos costumes socialistas perduram. 

Ao contrário do que acontecia com Socrates, Passos Coelho não tem uma atitude arrogante. É bom que se bata pelo que é melhor para o país, mas é igualmente importante que oiça os vários sectores da sociedade. Esta frase proferida no debate quinzenal de hoje é a prova que Passos Coelho está aberto ao diálogo. Penso mesmo que esta questão da TSU será resolvida em concertação social e de modo a proteger aqueles que têm menos rendimentos. Apesar de algumas medidas excessivas, é verdade que o Governo tem adoptado uma postura de preocupação relativamente aos mais fracos. O problema é que muitas iniciativas passam ao lado e não são sequer notícia. Por exemplo, não me lembro da esquerda ter dito uma palavra que fosse sobre os impostos sobre os grandes rendimentos e bens de luxo.

Assim de repente...

Fernando Moreira de Sá, 16.09.12

 

 

Primeiro foi Monteiro, Manuel Monteiro. Confiou no homem e foi trucidado politicamente até aos dias de hoje (uma das grandes injustiças da política nacional e castigo enorme pelo erro da criação do PND). Manuel Monteiro criou o Partido Popular nas cinzas de um CDS moribundo, ouvia Portas e este, quando se viu alçado ao poder, como verdadeiro número dois de Monteiro, foi aniquilando políticamente o seu amigo. Quem soprava para as redacções que era ele que escrevia os discursos de Monteiro? Que Monteiro só defendia e transmitia aquilo que ele lhe dizia? Quem lhe tirou o tapete independentemente da inabilidade política de parte substancial da equipa de Monteiro?

 

Mais tarde, foi Marcelo Rebelo de Sousa. Contra boa parte do seu partido, em especial o baronato, decide avançar com uma coligação com Portas. Pouco tempo depois, foi politicamente esfaqueado por Portas. Mais uma traição para o seu currículo e o fim da AD. Marcelo nunca mais foi líder do PSD e é hoje comentador televisivo.

 

Agora, Passos. Pedro Passos Coelho é a nova vítima. Em nome de um patriotismo bacoco, Portas manteve um silêncio ensurdecedor ao longo da semana mais negra deste governo para, hoje, uma vez mais travestido de virgem ofendida, espetar uma faca nas costas do Primeiro-ministro. Uma vez mais. O mesmo actor principal. São coincidências a mais. E só não vê quem não quer.

 

Contudo, posso estar enganado, mas desta vez, como na parábola do sapo e do escorpião, Portas mediu mal as consequências e vai terminar politicamente afogado. Como o escorpião.