O Governo da Venezuela resolveu promover a indústria de louças sanitárias, em particular o bidé, aproximar os cidadãos da natureza e da higiene, recomendando o consumo de água e sabão, e preservar as florestas, poupando no papel.
É este o significado da escassez de papel higiénico naquele país, que a bloga nacional tem verberado com piadas de gosto duvidoso, que além do mais deixam no ar suspeitas sobre a brancura de alguma roupa interior de muito blogger prestigiado.
Mas não apenas entre nós: o Guardian declara solenemente que "First milk, butter, coffee and cornmeal ran short. Now Venezuela is running out of the most basic of necessities – toilet paper".
A mais básica das necessidades?! Só se for para vós, ó filhos da Ilha! Que um verdadeiro cavalheiro ou uma verdadeira senhora não acham o rolo de papel absolutamente indispensável nem dele fazem grande uso, excepto se tiverem o azar de aterrarem em instalações mal equipadas, caso em que o risco é grande de se entupirem os esgotos.
Contudo, não é destes assuntos escatológicos que me quero ocupar, mas do salário mínimo: este senhor acha que a falta de papel deriva do controle de preços, e que, tal como o preço máximo ignorando o mercado provoca escassez, o salário mínimo provoca desemprego.
A mim convenceu-me, embora converter convertidos não requeira grandes esforços de argumentação.

A esquerda por norma tão tolerante com todos os comportamentos liberais dos cidadãos, tem uma intolerância arrogante com todas as gaffes ou ideias (que não subscrevo) xenófobas, sexistas, homofóbicas e afins vindas de líderes de direita cuja indignação se alastra de forma viral nas redes sociais e não só. Berlusconi, por culpa própria devido ao seu comportamento brejeiro enjoativo e princípios de ética demasiado duvidosos, foi o exemplo máximo dessa atitude vinda esquerda.
Como no melhor pano cai a nódoa, eis que Nicolás Maduro, ainda não eleito presidente, já protagonizou demasiados casos que mostram que comportamentos infelizes e inaceitáveis também acontecem em pessoa de esquerda:
Já expressou a sua masculinidade como argumento político insinuando incertezas de virilidade do seu oponente, assumindo assim um culto homofóbico como trunfo político;
Já promoveu o culto da personalidade do modo típico das ditaduras com a decisão de embalsamar Chavez e exposição do corpo em museu e teve de recuar devido a problemas de ordem técnica que deveria ter verificado antes de tornar pública essa opção;
Aceitou tomar posse do cargo de Presidente em condições duvidosas para a Constituição da República Bolivariana da Venezuela que terá jurado cumprir ao ser empossado e quando não tinha necessidade disso por ser candidato dentro de 30 dias com grande probabilidade de ser o vencedor; e
Tudo isto em escassos dias, sem ainda ter sido eleito, mas já a demonstrar o seu vazio de inteligência política, a existência de preconceitos perigosos, o provável desrespeito pela Constituição do seu País e a admiração por ditadores, aspetos perigosos para o futuro da Venezuela, mas suspeito que veremos a esquerda tão liberal nos costumes, despreconceituosa, tão suscetível em se ofender, ignorar toda esta asneirada de Nicolás Maduro.