Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

 Espero sinceramente que no Brasil a palavra tenha um significado mais gourmet do que cá pelas nossas bandas.

 

 

 

 

 (Nordeste Brasileiro, a alguns quilómetros de Ilhéus. Abril de 1999)

 

 

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Domingo, 20 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Pertencer a um determinado país enche-nos de orgulho, ter um território, uma língua, uma cultura, coisas que nos identificam e que nos caracterizam como sendo pertença de um lugar, como fazendo parte de um povo.

Um dia perguntei a uma colega da minha turma, que era estrangeira, qual era o país dela. Ela respondeu-me entusiasticamente que era da Ucrânia. A minha ignorância levou-me a tecer inúmeros pensamentos sobre como seria ser da Ucrânia. No seguimento desta conversa dei por mim a perguntar-lhe, com um certo desdém, se ela gostava do seu país, ao que ela me respondeu, estupefacta, “claro que sim, como é que alguém pode não gostar do seu próprio país”. Este diálogo ficou a marinar na minha cabeça. De facto, como é que alguém pode não gostar do seu país. Renegar o país que nos viu nascer e crescer é como renegar a própria família, e essa ideia é repugnante.

Numa altura em que vejo tantas pessoas a deixar Portugal para trás, pergunto-me que país é este que leva o seu povo a fugir, a abdicar das suas origens, da sua história, a atravessar países, continentes e oceanos na tentativa de encontrar um lugar melhor para viver.

Embora goste muito de viajar sei que o meu lar está em Portugal. Gosto de percorrer o mundo, mas voltar sempre para casa, para o conforto da língua, da comida, do clima, dos hábitos e costumes, da história, que é feita de homens e mulheres que partiram, mas que deixaram a saudade e a esperança que um dia iriam regressar.

Gostava de não ver tanta gente a partir, gostava de ver mais investimento neste meu querido país, mas não sei quando irei ler estas palavras e também eu invocar a saudade que deixo para trás...


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por José Meireles Graça

Ontem, tinha que apanhar o autocarro da Ryanair em Pedras Rubras, para ir visitar um cliente na região de Paris.

À chegada ao aeroporto, quem inadvertidamente siga a indicação "Partidas" é obrigado, se pretender deixar o carro aparcado, a voltar a descer no fim do percurso para aceder ao Parque.

Imediatamente antes da primeira entrada no Parque, decorria uma operação "stop". Signifiquei ao agente que fazer uma operação "stop" naquele local era um absurdo porque podia implicar perdas de voos.

O jovem militar em questão, com um sorriso trocista, esclareceu que cumpria ordens e que, se pretendia reclamar, o deveria fazer junto do Comando Metropolitano do Porto; após o que quis ver o triângulo, e o documento da IPO, e o do seguro, e onde estava o colete reflector, bem como examinar demoradamente os selos no pára-brisas, sempre sem abandonar o sorriso que as amigas lhe devem achar encantador.

Não perdi, por pouco, o voo - ia com tempo para imponderáveis. E o encontro com o cliente correu bem, obrigado.

O regresso, hoje, não foi inteiramente normal - uma seca no pequeno Aeroporto de Beauvais. Mas, quando liguei o computador, tinha o seguinte e-mail:


"A Ryanair lamenta que tenha sido obrigada a remarcar o horário do seu voo devido à greve dos Controladores Aéreos Portugueses. O aviso desta greve do dia 24 de Maio de 2012 foi dado tardiamente e está fora do controlo da Ryanair. CLIQUE AQUI PARA ACEITAR ONLINE ESTA ALTERAÇÃO DO VOO: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para solicitar um reembolso de todas as verbas pagas clique na hiperligação seguinte e introduza os dados necessários. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Tudo está bem quando acaba bem.


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Quinta-feira, 15 de Março de 2012
por Francisca Prieto

 

... se acontecer passar ali pelas bandas da Carrapateira, não deixe de virar à direita para apanhar a estrada de terra que liga a Praia da Bordeira à Praia do Amado.

Se for homem, vai ter de respirar fundo e acreditar que isso de uma suspensão ficar arruinada por causa de meia dúzia de quilómetros numa estrada levemente esburacada é um mito rural. Se for mulher, é provável que nem saiba o que é uma suspensão.

 

À medida que a camada de poeira começar a assentar no carro, vai perceber que não sabia que a oitava maravilha do mundo morava mesmo ali ao virar da esquina. É a natureza pura e bruta e entrar-nos pelos olhos dentro. É o sal a colar-se-nos à cara. É a crueza do silêncio a fazer-nos emudecer de timidez.

 

Perca a pressa e páre o carro à beira da estrada. Tire partido de um dos pequenos miradouros de madeira que estão  construídos sobre as rochas e sente-se num banquinho a namorar.

Deixe-se perder o fôlego um par de vezes, que aquilo até lava a alma a uma pessoa. É mesmo de cortar a respiração. E é de graça.

 

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Segunda-feira, 5 de Março de 2012
por Francisca Prieto

 

... deixe-se de tretas. Repudie os cafezinhos afrancesados e as pastelarias finórias e mergulhe sem temor nos genuínos estabelecimentos cariocas.

No coração de Ipanema, onde se cruza a Visconde de Pirajá com a Maria Quitéria (quem conhecer uma combinação de nomes mais sumarenta que levante o braço), pode encontrar o Polis Sucos, um boteco de rua, igual a tantos outros, onde um turista mais mariquinhas nunca entrará por medo de ser assaltado pelos próprios balconistas.

 

Ali mesmo, de pé, passará pela inolvidável experiência de pedir (com entoação de palhaço Quiqui, senão não percebem nada) “um sanduixi dji filé i um suco dji mélancia”, de aguardar alguns minutos enquanto, por detrás de cestas de fruta, se gera muita azáfama, até ferrar o dente na mais desconcertante experiência gastronómica da sua vida.

 

Depois repete todos os dias até ser hora de voltar para casa. Porque mesmo que acontecesse ser assaltado pelos empregados, valia a pena.

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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

 

Galge a 7ª avenida meia dúzia de quarteirões para cima de Times Square e, em chegando ao nº 854, aterre no Carnegie Deli.

Fundado em 1937, o Carnegie está para um nova-iorquino como o Pinóquio estará para um Lisboeta. E se no Pinóquio nos deleitamos com um belo pica-pau, no Carnegie estão asseguradas as melhores sandwiches de pastrami da América.

 

Convém levar companhia porque, à boa maneira americana, as doses são a real encarnação da hipérbole. O truque é pedir uma só sandwiche (que consiste em duas fatias de pão que albergam uns vinte centímetros de pastrami) e “extra bread”, para depois desconstruir a sandwiche e refazê-la em três ou quatro unidades mais maneirinhas.

Alerta vital também para as sobremesas. Nunca incorrer no erro de pedir mais do que uma por par, já que as fatias de tarte parecem saídas de um menu para ataques cardíacos e fazem-se generosamente acompanhar por uma quantidade de gelado equivalente a uma embalagem de Haagen Daz.

 

O staff é a despachar, com todas as pitadas de má criação características dos nova-iorquinos. Convém perceber à primeira What´s it gonna be m’am?”, responder com prontidão e nunca, nunca, nunca deixar uma gorjeta inferior a 15% do valor da conta, sob pena de nos poderem vir a ser infligidos danos corporais.

 

Mas, meu Deus, que o raio das sandwiches são de arromba, isso posso garantir.

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Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Não sei o que é andar de comboio. Confesso o pecado. Talvez o Dario se tenha apoderado daquela minha parte do cérebro que toma as decisões e me tenha levado a esta escolha de última da hora: ir de comboio.

 

Aqui estou. Sentado. Confortável? Sim. Quer dizer, se o banco não fosse tão inclinado…se fosse permitido fumar…se o tipo engravatado sentado em frente tivesse as pernas mais curtas. Esperem um pouco, se faz favor, está a passar um funcionário da CP e aqui o caloiro da coisa vai perguntar como raio se coloca o banco em posição para gordos como eu, ou seja, um banco "à homem".

 

Já está, ufa. Nem imaginam a diferença. Só não gostei do ar do engravatado. Deve ter achado piada. Desconfio que é de esquerda. Daquela retinta que considera todos os condutores de veículos de quatro rodas como uns perigosos fascistas poluídores. Logo eu, pffff. O meu carro até está equipado com aquela coisa do filtro de partículas.

 

O que eu dada por um cigarrito, senhores. 

 

Engraçado, a duração da viagem é idêntica. O custo é bem menor. E sempre posso ir a escrever…CREDO….se eu fosse gato tinha acabado de perder uma das sete! Esta coisa de passar um comboio mesmo ao meu lado, sem aviso, é aterradora.

 

Estão na moda os fatos azul petróleo com camisa igual e gravata azul berrante. Tenho para mim que são meros casos de poluição visual. Por falar nisso, esta viagem é assustadora: da janela do comboio vejo as vísceras de um certo Portugal. Fábricas abandonadas, quintais horrendos e sucatas escondidas. Tanto tijolo vermelho de fora, tanta parede por pintar. Tanta pobreza a espreitar.

 

Que diferença. Quando era miúdo o comboio era uma das opções. A pior. Hoje, vale a pena. Mais económico que o automóvel. Confortável qb e com estas modernices todas (telemóvel, pc, mp3, etc.) não custa tanto passar o tempo e sempre se pode ir a escrever no blog ou, o que vou fazer agora, adiantar trabalho. Agora? Bem, agora vou é ver se existe algum local amigo do fumador...


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