Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
por Francisco Castelo Branco

Passos Coelho afirmou que Vitor Gaspar é o número 2, tendo relegado Paulo Portas para o último lugar do pódio. Mas onde é que fica Relvas?


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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Estive quase, quase a concordar com este texto de Daniel Oliveira.


Primeiro porque o pano de fundo destas coisas deve ser que os abusos de liberdade de imprensa e de opinião são sempre menos perigosos do que os controles a priori de uma e outra; depois porque o excesso de zêlo de uma ignota funcionária que dá pelo nome de Maria Rui Fonseca me desperta o horror nato à autoridade prepotente; e finalmente porque o ministro Schaueble, não sendo um cidadão comum, deveria talvez olhar em volta antes de soltar a franga das conversas intempestivas.


Dar o dito por não dito seria para mim uma maçada: não estou habituado, porque não preciso de estar, mas já me aconteceu mudar de opinião, o que acontece a toda a gente, e reconhecê-lo, o que acontece a muito menos.


O próprio Daniel, porém, oferece-me a salvação, quando diz: "... E eles (os jornalistas) recolhem as boas e as más imagens, e não apenas aquelas que os políticos querem que os seus eleitores vejam".


Declarações no âmbito de conversas desejadas inocentemente como privadas, mesmo entre políticos, não são a mesma coisa que imagens, mesmo que estas sejam por vezes eloquentes: se amanhã o Daniel confidenciar a um dos seus colegas do Eixo do Mal alguma coisa que não diria publicamente, não se apercebendo que os microfones estavam ligados, acharia bem a divulgação?


Eu não.


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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Dois políticos eleitos têm ou não têm direito a manterem conversas privadas, mesmo que sobre assuntos de interesse público?


Eu acho que têm, salvo havendo indícios da prática de crimes; e entendo que o wikileaks desbragado em que se está progressivamente a transformar o espaço público vai levar a que os políticos e diplomatas tenham que ter formação de agentes secretos para poderem desempenhar o seu papel.


Fosse eu mais coerente e recusar-me-ia a comentar uma conversa cuja gravação foi, a meu ver, ilegítima.

Mas já percebi que dizer isto é cuspir contra o vento: espreitar pela fechadura cabe, parece, no direito a informar; e tempos virão em que estaremos ao corrente da marca e feitio da roupa interior dos nossos representantes, se é que não seremos inteirados da possível influência do hemorroidal nesta ou naquela decisão política.


A conversa vai ser glosada - já está a ser - da forma previsível consoante o alinhamento pró ou anti-governo de cada um.


Por mim, por ora, sinto apenas compreensão solidária e vergonha: compreensão por quem, no nosso interesse, se sujeita a um papel que não pode ser descrito de outra maneira senão como humilhante; e vergonha pelo negócio abjecto que foi praticado em tantas eleições e que nos trouxe até aqui - comprar votos com dívida. 


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por Pedro M Froufe

Compreende-se a conversa informal que Vitor Gaspar e o seu homólogo alemão Schauble mantiveram: agora, “porque vocês fizeram progressos substanciais” (leia-se, Portugal está a fazer um bom trabalho), a Alemanha está disponível para ajudar, renegociando as condições do resgate português. Pelo menos, será essa a convicção do Ministro Alemão. Mais do que isso, também não se pode garantir… até mesmo porque se tratou de uma conversa informal que não seria suposto ter sido “apanhada” pela imprensa, quanto mais tornada pública.

A austeridade  firme e aparentemente cega que o Governo tem seguido tinha (e percebia-se isso mesmo) esse objectivo: caso fosse necessário (e, sobretudo, quando fosse necessário), existirem as condições negociais necessárias para a obtenção de um reajustamento do programa português. Era (é) uma jogada de risco, mas necessária e que, naturalmente, se percebe(u). Por isso, ao contrário do que Seguro tentou dizer (está no seu papel…apesar de fraco, na circunstância), esta hipótese só surgiu (na mente do Ministro alemão) em consequência, precisamente, da política seguida e não ao arrepio ou contra essa mesma política.

No entanto –  papeis (e respectiva justificação) à parte - há quem mantenha o velho mau hábito de fazer política a partir de (não – ) casos cuja criação se força artificiosamente; ou seja, viciosamente sem substancia e sempre do mesmo modo: com ar e vento!


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