Sábado, 17 de Março de 2012
por Maurício Barra

(*) realizado em 1923, a preto e branco, "mudo", dirigido formalmente por James Cruze, mas que posteriormente foi considerado que sem um tal de Jack Ford não teria sido realizado (Jack Ford, um senhor que três anos depois mudou o nome para John Ford, o tal que imortalizou o género e a frase " eu faço filmes de cowboys") , foi o primeiro grande épico do Oeste. Antes dele, os filmes sobre o "far west", protagonizados por Tom Mix e Bronco Billy, atraiam multidões e dominavam o mercado. Mas quando aparece The Covered Wagon o western mudou de paradigma, nele apareciam pela primeira vez todos os elementos que viriam a definir o género: espírito pioneiro da América, desbravar o inóspito, caça aos búfalos, tiroteios, ataques de índios, heróis que fazem "the right thing".

O filme objectivamente copiou a realidade: filmado em cenários naturais, usaram 400 verdadeiras carroças cobertas (as famosas Canestogas), atravessaram rios (os cavalos e os bois tiveram mesmo de nadar para não morrer), enfrentaram tempestades de neve, atravessaram desertos.

Com 3.000 actores, dos quais 1.000 índios verdadeiros (Arapahoes, Bannocks, Shoshones e Crows do Wyoming, Navajos do Arizona), nos três meses que passaram no deserto do Utah sofreram temperaturas negativas e chegaram a passar fome porque a logística falhou a entrega de alimentos.

Nas cenas dos búfalos, foram utilizados 500 de uma empresa, a Buffalo Livestock Corporation, os únicos que então existiam no EUA, após a dizimação dos anos setenta a noventa do século anterior, que quase os extinguiu.

Até hoje, The Covered Wagon foi o mais colossal filme a ser feito. Nenhum, posteriormente, teve a mesma dimensão.    

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Sábado, 10 de Março de 2012
por Maurício Barra

 

(*) realizado por John Ford, é,  junto com StageCoach, The Searchers e My Darling Clementine,  um dos quatro grandes filmes deste realizador.

Mas The Man who shot Liberty Valence não é um filme que se reduz a uma referência cinematográfica.

O seu tema essencial é a desconstrução de um dos ícones básicos do "far west ": os poderes fora da lei, seja do pistoleiro criminoso, seja do herói individual. O filme é sobre o primado da democracia, o primado "do bem comum" acima do crime, o primado da lei, à qual (também) se submete o herói que pratica "the right thing", defendendo-a. Muito apropriadamente ainda filmado a preto e branco, torna clara a divisão entre a lei e a sua ausência, com o relativismo moral a ser substituído pela mensagem essencial da declaração de independência americana: "we the people, by the people, for the people".   

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