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Forte Apache

O cronista dos Domingos

Alexandre Poço, 28.07.13

"No caso dos políticos ansiosos por dar nas vistas, a solução não é tão simples. Tal como aconteceu há tempos ao Presidente da República, não seria adequado pedir a António José Seguro que, a fim de se livrar dos espiões imaginários de que suspeita, desista da liderança do PS. Aliás, é justamente por tanta gente sonhar com o seu abandono da dita liderança que o dr. Seguro decidiu jogar a cartada das "escutas", incluindo queixa à Procuradoria- -Geral. O resultado pretendido é óbvio, leia-se passar a ideia de que, se a direcção socialista é vigiada, a direcção é importante e "incómoda" (no sentido futebolístico do termo:

"Sabemos que o Moreirense incomoda muita gente"). O resultado obtido fica um bocadinho aquém: torna-se evidente que o dr. Seguro se sente acossado dentro do partido e, após a edificante rábula da "salvação nacional", pouco admirado fora dele.

 

Em vez de uma prova de prestígio, o imaginário Watergate do Largo do Rato sugere certo desespero. Isto se mantivermos os pés no chão e tomarmos a história pelo que vale: nada. Mas suponha-se, por dois minutos e mero absurdo, que as "escutas" do Rato existem de facto. Então, o caso assumiria enorme gravidade, exigindo intervenção eficaz e a detenção urgente dos perpetradores. Não para os punir, mas para os tratar. Se houvesse à face da Terra uma única criatura interessada em ouvir as conversas mantidas pelo dr. Seguro e respectivo séquito, esse infeliz careceria de ajuda especializada e imensa compaixão. Pelo amor de Deus: a cada intervenção pública do estado-maior socialista há militantes (nem me refiro aos populares desprevenidos) que, sempre que não adormecem, tentam cortar os pulsos. Que espécie de desarranjo mental seria necessário para espiolhar deliberadamente as intervenções privadas daquela gente? A medicina ainda não sabe. Se soubesse, o dr. Francisco George teria emitido um alerta a propósito."

 

Alberto Gonçalves no Diário de Notícias

O PS e a privatização dos CTT

Alexandre Poço, 25.07.13

No governo, em 2011, o PS negociou e colocou no memorando de entendimento a privatização dos CTT (ponto 3.31 do memorando). Hoje, ao fim de dois anos, o governo aprovou, em Conselho de Ministros, o processo de privatização dos CTT. De imediato, o Partido Socialista manifestou-se contra a privatização, afirmando que esta "lesa os interesses nacionais". Se o discurso é inovador, parece vindo do PCP ou da CGTP, a atitude é coerente. Coerente com o comportamento que o PS adoptou nos últimos 2 anos nas relações com a troika - que chamou - e com o memorando - que negociou, assinou e ainda, propagandeou. 

A narrativa que não entra

Alexandre Poço, 23.07.13

"Vem, a propósito, de um "comentador" que insiste em ser sociólogo, economista, politólogo e doutrinário, qual Mikail Suslov, junto dos socráticos socialistas. Diz esta alminha que o corte dos 4,7 mil milhões de euros é "economicamente estúpido" e invoca como testemunho um qualquer estudo para garantir que, em 2014, este corte provocará uma queda de 9,4 mil milhões de euros no PIB.
Bem, vamos ao que existe. Entre 2010 e 2012 a despesa orçamental foi cortada em mais de 11 mil milhões de euros. Dou de barato e ofereço mais um ano, o de 2013. Nestes anos, o PIB (ou seja, pela "óptica do rendimento" o somatório anual dos salários, lucros, rendas, juros ganhos, etc) não cairá 9 mil milhões de euros... Espanto?


Então, vejam: o PIB já cai desde meados de 2010, tendo a economia entrado em recessão no início de 2011, ainda com Sócrates em São Bento! Ou seja, mesmo com os 11 mil milhões de euros "em circulação" - agora "sugados ao consumo" - o PIB já estava a estatelar-se... e assim continuaria! O País falia, os cofres do IGCP estavam à míngua e tiveram de chamar a troika para pagar salários, pensões e reformas!
É isto que os socráticos nunca entenderão: injectavam gasolina e o motor... gripava. Descontrolados, bateram na parede.
Agora anuncia-se que no II trimestre deste ano a economia terá dado a volta, interrompendo dez trimestre recessivos (inicados por Sócrates, repito).
Os socráticos estão atarantados! Isto é demais. Então corta-se na despesa e a economia cresce? Mau...


Pois. Não digo que o corte da despesa não possua efeitos recessivos no imediato. A alteração do modelo estrutural da economia, com base em sectores exportadores ou de substituição de importações, é algo que demora a dar resultados. Mas, ao mesmo tempo, a despesa não reprodutiva que é subtraída à economia não gera mais défice orçamental e mais dívida pública do Estado, para além de ter efeitos benéficos nas contas externas. Ora, é isso que se está a assistir, com sacrifícios, diga-se."


Rudolfo Rebelo no seu perfil no Facebook

O cronista dos Domingos

Alexandre Poço, 21.07.13

"Para espanto de alguns, e no meio de queixinhas à altura da gravidade dos protagonistas, o acordo imaginado pelo prof. Cavaco falhou. Para os que não chegaram anteontem à Terra, o acordo tinha de falhar. Do ponto de vista político, já era absurdo supor que PSD e CDS conseguiriam irromper num ápice com uma estratégia comum e credível, após dois anos em que partilharam o poder e discordaram todos os dias. Mas roçava o surreal presumir que o PS se comprometeria com um processo que, afinal, consistia em legitimar o Governo e os apertos que os socialistas acham facultativos. Subscrever o que quer que fosse seria, no que respeita ao dr. Seguro, o equivalente a renunciar de vez ao cargo de primeiro-ministro e, em breve, à liderança do partido. As ameaças da ala "bolivariana" do PS, i.e. o dr. Soares, os resmungos da tralha "socrática" e os exercícios de consagração de António Costa cuidaram que o dr. Seguro só acordaria a "salvação nacional" se estivesse a dormir. Contra inúmeros indícios em contrário, não está.


(...)


O que seria de Portugal sem Boaventura de Sousa Santos? Um país muito mais triste, com certeza. Não falo só por mim, que enquanto cronista tenho no exótico sociólogo uma preciosa ajuda ao meu ganha-pão e enquanto cidadão me divirto à grande com a criatura. Falo pelos inúmeros compatriotas meus que alegram os dias à custa de cada atoarda de BSS. Já dizia o Reader's Digest: rir é o melhor remédio, e nisto BSS vence amplamente a Aspirina e o Lexotan. Como vantagem adicional, não possui contra-indicações nem possibilidade de sobredosagem: B de SS nunca é demais.

 

(...)

 

Na recente comemoração dos 30 anos de existência de "Os Verdes", um dos seus dirigentes orgulhou-se de terem estado sempre "ao lado das pessoas e das populações". Em contrapartida, é complicado apurar se as pessoas e as populações alguma vez agradeceram o esforço, visto que nunca puderam expressar a sua opinião através do voto. De 1983 em diante que a simpática agremiação hoje chefiada pela dra. Heloísa Apolónia concorre a reboque do PCP, ou melhor da APU, primeiro, e da CDU, depois (convém esconder a palavra "comunista"). Os resultados eleitorais da agremiação avaliam-se apenas em função da proporcionalidade que o PCP lhe atribui dentro da coligação. Nas "legislativas" de 2011, o resultado foi de 55 mil eleitores, número que dificilmente "Os Verdes" conseguiriam sozinhos, mas de qualquer maneira um truque que lhes permite dispor de farto tempo de antena na Assembleia da República e, no que à presente semana diz respeito, apresentar uma moção de censura a um Governo que, sofrível ou péssimo, se viu escolhido por quase três milhões de portugueses."


Alberto Gonçalves no Diário de Notícias

Gastar, gastar, gastar

Alexandre Poço, 20.07.13

No ponto 1.1.1 do documento de propostas para o "compromisso de salvação nacional", o PS reafirma a sua oposição aos cortes de 4.7 mil milhões de euros exigidos pela troika até ao final de 2014. "Parar com os cortes de 4,7 mil milhões de euros acordados entre o Governo e a troica na sétima avaliação", lê-se. O PS além de não querer dimininuir a despesa pública, pretendendo "parar com os despedimentos na função pública, com mais cortes nas pensões atuais, com a “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” e com a redução de vencimentos" (Ponto 1.1.1), propôs ainda um conjunto de medidas que aumentam a despesa pública. Esta atitude assemelha-se à do indivíduo que, já estando à beira do coma alcoólico, quer continuar a beber whisky. O Partido Socialista propõe portanto um aumento "das pensões mais baixas e a extensão do subsídio social de desemprego por mais seis meses" (Ponto 1.1.2), "reposição dos níveis de proteção social assegurados pelo complemento social para idosos e pelo rendimento social de inserção" (Ponto 6, alínea 4) ou ainda a criação de um "programa de reabilitação urbana como prioridade para a eficiência energética" (Ponto 1.4.7). Se a estas medidas somarmos os cortes de impostos também defendidos, chegamos à conclusão de que o PS esqueceu-se por completo dos compromissos assumidos com a troika em termos de défice orçamental. Outro ponto interessante é o facto de todas as medidas que aumentam a despesa pública não estarem quantificadas. Apenas vemos manifestações de interesses, do jeito de panfleto eleitoral. Na prática todo o documento parece um sumário executivo de um programa eleitoral, o que mostra bem qual a prioridade de António José Seguro e dos seus compagnons socialistas. O défice do Estado situou-se em 2012, não contando com medidas extraordinárias, nos 10.6 mil milhões de euros. A dívida pública ronda os 127% do PIB. O país encontra-se sob assitência financeira, sendo a troika a financiar o défice. Perante este cenário, qual a resposta do PS? Gastar, gastar, gastar. 2 anos depois (ou melhor, 39 anos depois), o PS ainda não aprendeu a lição. 

Forças de bloqueio

Alexandre Poço, 18.07.13

Tribunal trava fecho da Maternidade Alfredo da Costa

Não surpreende. Qualquer tentativa de reformar o Estado e a relação que este tem com os cidadãos tem esbarrado no crivo dos juízes. Nos últimos dois anos já se registaram várias decisões neste sentido, quer seja nas instâncias inferiores quer seja no sacrossanto Tribunal Constitucional. A Oeste nada de novo, portanto. 

Águas turvas

Alexandre Poço, 12.07.13

"Alguém acredita que Passos, Portas e Seguro façam um acordo que viabilize medidas de governo até Junho de 2014? Se alguém fosse ao cinema ver um filme destes, diria que é um filme de ficção – para maiores de 12, 16 ou 18, depende. Se fosse possível, era bom, mas não era feito assim. Eu fui educado no ‘sá-carneirismo’, que tem uma regra básica: coisas claras, nada de águas pantanosas ou turvas. A clarificação exigiria isto: ‘Ou há um governo com toda a força do mundo ou eu tenho um governo para propor aos partidos. Se não há uma coisa nem outra, vamos para eleições’. Isto eu perceberia, aplaudiria e ficaria contentíssimo."


Pedro Santana Lopes, em entrevista ao Sol

Sentido de Estado

Alexandre Poço, 03.07.13